Cabeça de Campeão – O “endeusamento” da torcida
UFC 183 - Anderson Silva se emociona com retorno ao octógono (Foto: Josh Hedges/Zuffa LLC/Getty Images)

Cabeça de Campeão – O “endeusamento” da torcida

Fala galera, tudo bom com vocês?

Esta começando a nova coluna do MMA by Neko, a Cabeça de Campeão.

Vamos falar aqui sobre a psicologia e como ela favorece e explica a cabeça dos lutadores, e não só durante as competições, vamos falar também sobre o seu dia-a-dia, o problema do “endeusamento” da torcida, a pressão dos patrocinadores, a relação atleta/equipe, a relação familiar, amorosa e a força que a mídia tem, tudo que pode elevar o atleta ou joga-lo no chão com toda a força.

O que acham de começarmos com um caso recente como o ocorrido pelo melhor e mais completo atleta do mundo da luta, Anderson Silva.

Quem aqui viu, tudo aquilo que um dia depositou no atleta Anderson, ir por terra quando ele perdeu para o ate então desconhecido Chris Weidman, ou, mais ainda, na segunda luta, na qual por um azar ele quebrou a perna e mais uma vez, desmerecemos o Weidman e falamos um estufado “bem feito” para o Anderson?

Raivas a parte, frustrações e muito PhD de status de facebook para encher o saco das timelines alheias, o que será que se passa pela cabeça desse ser-humano, (não irei mais me referir como atleta), e como sua carreira e bem estar emocional vão lidar com isso?

Nada simples, sinceramente falando, se fosse apenas para lidar com o treinamento de um atleta seria mais fácil, pois é como um rato em uma gaiola, repetições e repetições e na hora da luta é só botar em prática, mas no caso, falamos do envolvimento dos filhos, da família, dos fãs enlouquecidos que fazem e falam absurdos para o ser humano e faz com que o mesmo fique recluso dentro de sua casa para evitar tal mal estar e assim sendo, acaba levantando suspeitas sobre o acontecido.

Este endeusamento, frustra ambas as partes, o torcedor avido não quer saber se estava tudo “ok” ou não e o lutador não pode deixar e tentar ao máximo se provar para que tudo dê certo.

O endeusamento, tratar como um deus uma pessoa tão simples como todos nós, atrapalha a vida profissional do mesmo, atingindo níveis de estresse grandes, dores psicossomáticas e síndromes das mais diversas e todo mundo sabe que o alto rendimento depende muito não só do treinamento, mas de uma paz psicológica vinda do atleta e para que o mesmo consiga lidar com este quesito, caso contrário as divergências serão mais significativas do que a busca pela melhora e “blindagem” do lutador, fazendo com que o mesmo não bote fé no trabalho realizado e acabe ate jogando contra o psicólogo e achando que o mesmo o fez perder.

O trabalho da psicologia exige tempo, exige compromisso por ambas as partes e exige o mais importante a confiança, de pessoa para pessoa e de que a vitória e a derrota fazem parte do mesmo momento.

Resumindo o nosso assunto de hoje, a pressão psicológica externa é maior que a interna no dia a dia do atleta, então vamos buscar entender que assim como nós, eles também são seres humanos, sente frio, medo, choram, sorriem e vivem a vida e devemos saber lidar e apreciar isso!

Torcer é bom, é ótimo, mas o respeito e a aceitação pelo outro é melhor ainda!

Então, vamos torcer, vamos gritar, vamos vibrar o máximo que conseguirmos, mas vamos respeitar e fazer desde esporte o melhor de todos!

Vamos cair De Cabeça no MMA!

Sobre Rafael Petrilli

Psicologo formando pela UAM, especialista em psicologia clínica humanista, psicologia do esporte e artes marciais. Já trabalhou com as maiores equipes do Brasil. Colunista do Dama de Ferro e CEO da De Cabeça MMA. Zen Budista e pai de três meninos maravilhosos!