Disparidade técnica: o grande dilema das categorias femininas do UFC
Ronda Rousey e Joanna Jedrzejczyk, campeãs das divisões femininas do UFC. (Foto: Getty Images/Zuffa LLC.)

Disparidade técnica: o grande dilema das categorias femininas do UFC

O UFC promoverá neste sábado sua edição de número 193, evento a qual será a primeira incursão da maior organização de artes marciais mistas do mundo à um estádio de futebol. O público australiano, que deu show nos sete eventos previamente ocorridos tiraram a sorte grande de presenciar duas defesas de cinturões, ambos das categorias femininas do Ultimate.

Quando se pensa em disputa de cinturão, automaticamente nos vem a cabeça a imagem de uma contenda equilibrada, com os dois melhores atletas daquela divisão de peso. Mesmo com os campeões mais dominantes da história de combate, havia uma certa dúvida de que o desafiante poderia levar perigo real e tomar o “couro e ouro” da mão do número um.

Porém isso não ocorre em uma das divisões femininas do UFC, e tem tudo para ocorrer na outra. Principal nome do esporte da atualidade, Ronda Rousey passou apenas pouco mais de 25 minutos em suas 12 lutas de MMA, e vem de vitórias acachapantes sobre desafiantes a qual Dana White e companhia tiveram que tirar água de pedra para criar dúvidas sobre a vitória da “Rowdy”.

E novamente isso se repete.

Holm passou sufoco contra Raquel Pennington em sua estreia no maior evento de MMA do mundo.

Holly Holm possivelmente será jogada como cordeiro de sacrifício a leoa indomável do MMA feminino. Obviamente no futuro a multicampeã mundial de boxe poderá evoluir a ponto de se tornar campeã do UFC, mas ainda não é o momento por inúmeros motivos, como maturação, estilo de jogo, agressividade, conforto no octógono (vide performance broxante da “Filha do Pastor” em sua estreia no Ultimate) e principalmente disparidade técnica.

O favoritismo reflete-se nas bolsas de apostas e a maior dúvida deste combate é quantos segundos Ronda levará para dar conta de mais uma oponente, assim virtualmente limpando sua categoria, visto que falta apenas Amanda Nunes e Jessica Eye para a loura enfrentar do top 10 da divisão, e nenhuma das duas são vistas como reais contenders ao cinturão.

Descendo para 52 quilogramas, temos a máquina de destruição polonesa Joanna Jedrzejczyk (a qual me referirei como “Champion” por motivos de sopadeletrinhagem). Enfrentando Valerie Letorneau numa das disputas de cinturão mais “não tem tu, vai tu mesmo” da história do MMA, a campeã estará a poucos passos de limpar sua divisão. Ainda falta enfrentar novamente Claudinha Gadelha e talvez alguns mais três ou quatro nomes, como “Thug” Rose Namajunas, Paige VanZant e Tecia Torres, porém a brasileira é a única que deverá oferecer real perigo para Joanna Champion.

As categorias femininas são extremamente empolgantes, porém ainda há uma disparidade muito grande entre as manda-chuvas e as reles-mortais. Apenas o tempo irá trazer novos ares e potências, mas assim como ocorre na categoria dos pesos-moscas, a pressa por desafiantes pode jogar tudo por água abaixo. Pelejas desniveladas são uma das coisas mais chatas dos esportes de combate, logo espero que a dona zebra e as desafiantes estejam afiadas e calem minha boca brutalmente no evento deste sábado.

Sobre Tiago Paiva

Baiano, boêmio e fã de brigas regulamentadas em octógonos ou quadriláteros.
  • Diego Kaku

    “calem minha boca brutalmente no evento deste sábado”…
    mordeu a lingua hehe