Pare de se iludir: o UFC não é esporte, é entretenimento!
Cinturão do UFC (Foto: Reprodução/Internet)

Pare de se iludir: o UFC não é esporte, é entretenimento!

Este não é um texto que visa alimentar as inúmeras “teorias da conspiração” que vemos espalhadas pela internet sobre o UFC. É um texto que busca deixar claro a você, leitor, algo que é jogado diariamente em sua cara e talvez você não tenha percebido. É duro ver que algumas coisas não são do jeito que gostaríamos e que todo o romantismo sobre algo não passa de uma utopia, mas a realidade, como dizem por aí, pode ser cruel em muitos casos. Então, lá vai: o UFC não é esporte.

“Claro que não, seu burro! Esporte é o MMA! ”, você deve ter pensado. E eu concordo (menos com a parte do burro). Assim como o esporte é o futebol, e não a Copa do Mundo. Mas você sabe o que sustenta esses esportes e faça com que eles apareçam na televisão, em sites de notícias e movimente rios de dinheiro por aí?  Chama-se audiência. E sabe o que dá audiência? Entretenimento. E quem dá esse entretenimento? Organizações. Tipo o UFC…

Quem já foi a algum evento do Ultimate sabe o que estou falando. Ao passar pela porta de entrada do ginásio ou de uma arena, você entra em um “universo” diferente daquele que está acostumado. São diversas atrações, luvas de lutadores expostas, cinturões, produtos para comprar e comer. É como se fosse um parque de diversões. Tudo para manter você fora da realidade e entrar no clima do que está por vir, cheio de música, luzes, telões passando propagandas das futuras edições e dos patrocinadores. Você não paga por um esporte, você paga por um espetáculo.

É justamente nesse contexto que muitas pessoas (incluindo lutadores) se perdem. O fã fala em merecimento, meritocracia, justiça e reconhecimento pela história que a pessoa representa ao esporte. Acontece que se toda essa história não der dinheiro, ela não é válida para uma organização. José Aldo, infelizmente, é uma dessas pessoas – e não digo isso de maneira feliz. Basta ver o número de pay-per-views vendidos por Aldo durante toda sua carreira de campeão comparado com outros que caíram recentemente, como Ronda Rousey e Cain Velasquez. Tirando o UFC 194, o manauara nunca foi uma “galinha dos ovos de ouro”. E toda esse hype nem se deve tanto a ele, mas a Conor McGregor.

O atleta precisa entender que, hoje, ele não atrai fãs apenas pelo que faz dentro da sua modalidade. Ele não tem a necessidade de ser polêmico, mas ele precisa aparecer. Filmes, entrevistas, programas de televisão, etc. Quem sabe se vender, consegue lugares mais altos. Isso não apenas no esporte, mas nos trabalhos cotidianos também. Quem aqui não tem um colega que é claramente protegido pelo chefe, mesmo que não faça nada de diferente se comparar a outras pessoas do mesmo setor? Talvez ele até seja pior, mas ele sabe fazer coisas que agradem ao big boss. É nesse ponto que não apenas Aldo, como muitos lutadores excelentes saem perdendo. Falta marketing.

Yan Cabral é um perfeito exemplo de um lutador que não entende esse universo. Companheiro de treinos do ex-campeão dos penas, ele resolveu dar um piti e afirmou que “Esses americanos são uns merdas mesmo. Como esse Dana não quer dar a revanche imediata para o Aldo? A Ronda perdeu e vai ter revanche, o Velásquez perdeu e vai ter sua revanche. O Aldo por ser brasileiro não?! Vergonhoso”. Cabral deve ter esquecido que Anderson Silva, por exemplo, é brasileiro e teve sua revanche contra Weidman. E também deve ter esquecido que Aldo já deixou Dana White na mão algumas vezes. Mas o principal que Cabral esqueceu é que, assim como Barão, também ex-campeão do Ultimate e colega de academia, Aldo não dá dinheiro. Se tivesse sido um combate parelho ou se McGregor tivesse sido nocauteado de maneira fulminante, as chances da revanche acontecer seriam muito maiores.

É por isso 13 segundos foram suficientes para apagar toda a história do melhor lutador peso-por-peso do UFC até o último sábado. É por isso que aquele ranking oficial que eles têm no site não presta para nada. É por isso que o filme do Aldo será um fracasso de bilheteria, como já era previsto antes da derrota e agora se tornou uma certeza.

É por isso que o UFC não é esporte, é entretenimento.

Sobre Helder Sturari Mariano

Coautor do livro “O Esporte que Nocauteou o Boxe”, ex redator do UFC, apreciador de boas cervejas, macho alfa e apaixonado por MMA!
  • Vinicius Fortuna

    Matou a pau

  • WeskerEvil

    Meh, tudo vem da maneira que você perde. Olha o grande Velasquez: Quando perdeu daquele jeito para o Cigano, não teve direito imediato a uma revanche. É bom para mover a categoria, da um bom agito e serve para criar um animo novo…

    O problema é que…Po vai colocar o Aldo para lutar com quem?